Moçambique (Mazua – Memba)

 

Acordei às 5h30 em sobressalto, com o Sr. Felix (o dono da loja) a berrar o meu nome e a bater na porta de madeira do estabelecimento.

Gritava do lado de fora que a água que já estava no fogo e que necessitava do resto do pacote de esparguete para poder preparar o meu pequeno-almoço.

Nem queria acreditar que teria a refeição pronta antes da hora marcada. Era um facto inédito, que no entanto calhara logo no dia que me apetecia permanecer um pouco mais em cima do colchão.

Era a madrugada do centésimo dia de viagem. Há 100 dias que saíra de Luanda de bicicleta e após 5 milhares de quilómetros a pedalar, encontrava-me agora na costa oposta.

Levantei-me a custo para lhe entregar o pacote de esparguete e para logo de seguida iniciar a preparação de mais um dia de viagem.

DSCF6600 De Mazua até Memba eram apenas 66Kms de picada em “bom” estado. Mas segundo o Sr. Felix havia um atalho logo à saída da vila de que me levaria até Memba em apenas 35Kms.

A proposta era bem apetecível mas no meu inconsciente pairava a velha máxima “… quem se mete em atalhos, mete-se em trabalhos…”, o que me levava a questionar vezes sem conta esta hipótese. Ao fim ao cabo, estaria a entrar em território onde nem o meu mapa, nem o meu GPS reconheciam qualquer tipo de troço.

Os principais cuidados com o trajecto alternativo, não caíam na segurança pessoal propriamente dita, mas sim na existência ou não de qualquer coisa a que pudesse chamar de estrada/trilho/caminho. Aquilo que podia ser considerado como uma estrada transitável para uns, poderia acabar por ser um poço de tormentas para outros.

À cabeça só me vinha a famosa frase “… very fine gravel road…” que no final traduziu-se em 150Kms a empurrar a bicicleta por trilhos de areia, e que consumiram 3 dias de viagem (Mungu – Zâmbia).

Só de colocar a hipótese que os 35Kms até Memba (pelo atalho sugerido) poderiam ser de areia, já me içar o mais remoto dos pelos. Outro aspecto não menos importante, eram as bifurcações e os cruzamentos abundantes no meio do nada. Bastaria que optasse pelo trilho errado para que ficasse condenado a perder tempo e energias até retomar o trajecto correcto. A adicionar às indecisões, tinha a questão do aro traseiro e do pneu que o revestia.

Expus estes pontos e mais alguns ao Sr. Felix, mas este continuava intransigente e insistia que a estrada era de terra batida e encontrava-se em boas condições. Argumentou tanto relativamente à via que me sugeria, que eu deixei-me convencer.

No entanto, quando lhe perguntei “Se a estrada é assim tão boa, porque é que não é considerada a estrada principal?”, não obtive qualquer tipo de resposta verbal. Apenas um encolher de ombros.

Mapa

Fosse como fosse e segundo as minhas matemáticas, a estrada principal para Memba contava com 66Kms e menos imprevistos, o que se traduziria em 4h a 5h de viagem. Enquanto o atalho para o mesmo destino contava com 33Kms e inúmeros imprevistos. Em condições normais levaria 2h a 3h a chegar até Memba. Se por acaso me deparasse com alguma situação inesperada, poderia sempre contar com as restantes horas do dia para carregar a bicicleta até “bom porto”.

Devorei o meu esparguete sem nada em poucos segundos. Apressei-me com os restantes preparativos da viagem e despedi-me do Sr. Felix.

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Eram 7h00 quando subi na bicicleta e iniciei a etapa. Pela frente teria 10 horas de luz solar para garantir que eu chegaria a Memba, mesmo escolhendo o trajecto menos “comum”.

Voltei a atravessar o campo de futebol em direcção ao centro semi-desértico da vila.

Do meu lado esquerdo encontrei a igreja que cumprimentara na noite anterior aquando da minha entrada em Mazua. Podia observar agora que a mesma igreja era das únicas construções que contava com a presença de cimento nas suas paredes. As restantes eram construídas com materiais locais, tal como matope, madeiras e capim.

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Pedalei lentamente pelo que me parecia ser uma “avenida” de 2 faixas pavimentadas a areia, até ao entroncamento entre a estrada para Memba e o atalho do Sr. Felix. Na memória estavam algumas recomendações que este me passara, “… uns quilómetros depois da vila, tem mercado… Lá mais lá na frente, virar direita…”.

Ainda estava para saber o que quereria dizer “virar à direita” no meio do matagal, mas também não tardaria muito em descobrir, pois nos breves segundos de meditação que concedi a mim mesmo até chegar ao entroncamento, acabara por optar em seguir pelo atalho do Sr. Felix.

Avançava desta maneira (armado em Robinson Crusoé da bicicleta) em direcção a um trilho que não aparecia no meu mapa nem no meu GPS, mas que havia de ir dar a algum lado.

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Tal como um miúdo que se aventura a explorar a pequena mata adjacente à sua casa, movido pelo espírito de descoberta e com os cenários dos filmes de aventuras na sua mente, eu também avançava pelo atalho, movido pela mesma excitação de exploração. Nada que eu não tivesse sentido antes com outros trilhos, mas cada dia era um dia diferente. Apareciam novas realidades, novos panoramas e novas peripécias, que ao fim ao cabo enchiam de adrenalina as minhas pernas.

Não foi necessário percorrer mais de 1Km, para andar com a bicicleta aos saltos, no meio dos regos que rasgavam a picada a cada 2 metros. A condução teria que ser prudente, não só para não atropelar nenhum dos inúmeros peões que caminhavam ao longo da via, como também para não acabar com os queixos estatelados no meio de um dos regos.

Enquanto saltava de um lado para o outro dos regos, passei uma zona movimentada. Havia gente por toda a parte, quer de pé, quer sentado no chão. No ar, o intenso cheiro a peixe seco sinalizava que estava a atravessar uma área de comércio a céu aberto, ou seja o mercado. Ao longo de uns 50 metros de estrada, havia todo o tipo de capulanas que alimentavam de cor, os olhos de quem passava. Pequenas pirâmides de tomates e conjuntos de 5 bananas, estendiam-se por toda a berma da estrada, à espreita do comprador. Sabonetes, bolachas e cigarros avulsos eram vendidos em cima de tabuleiros de madeira, um pouco por toda a parte.

Aquando da minha passagem, vários comerciantes saltaram para o meio da estrada empenhando, galinhas, peixe seco, bananas, etc na esperança de venderem alguma coisa ao branco da bicicleta, sem se preocuparem minimamente com os verdadeiros clientes que se encontravam diante das suas bancas. Era dia de mercado!

Passara o mercado. Agora faltava encontrar a cortada à direita que me levaria para Memba. Não tinha bem a certeza que iria encontrar uma cortada no sentido lato da palavra, ou se simplesmente iria encontrar uma bifurcação.

Com o passar do tempo, descorei a questão “cortada” e “bifurcação”. Passava a preocupar-me com a possibilidade de encontrar uma “bifurcação disfarçada”. Após um par de quilómetros ainda não tinha encontrado nenhuma espécie de bifurcação para a direita, passava assim a concentrar a minha atenção para uma cortada à esquerda. Caso encontrasse algum trilho a seguir para a minha esquerda, saberia automaticamente que este não seria opção. Manter-me-ia na minha via, ou seja passaria a considerar esta como a cortada à direita! Era tudo uma questão de ponto de vista.

Não tive que esperar muito tempo para aparecerem os primeiros troços de areia. Não era nada de muito difícil para uma motoreta ou para uma bicicleta sem carga. Contudo, para mim significava que teria de empurrar o meu velocípede por alguns metros, marcando a areia com os meus rodados ao mesmo tempo que soltava alguns elogios ao Sr. Felix.

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Contrariamente ao que imaginava, os troços de areia iam diminuindo de frequência e de extensão, permitindo-me continuar em cima dos pedais por mais tempo e consequentemente manter os índices de motivação.

As pernas ainda acusavam o cansaço e o desgaste do dia anterior, o que fazia-me desejar por chegar a Memba quanto antes para poder desfrutar de algumas horas de relaxe anterormente a embarcar, na manhã seguinte, na etapa até Nacala.

No entanto, uma vez no meio do mato, a pedalar em trilhos que mal passava a bicicleta, tudo poderia acontecer. Desde o aro da bicicleta resolver separar-se definitivamente em duas metades, ao desviador traseiro decidir visitar os raios da roda, até ao “simples” furo no pneu de trás.

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As curtas mas rápidas descidas convidavam-me para soltar os travões e desfrutar de uma condução mais radical entre pedras e regos criados pelas enxurradas. Contudo, tentava manter as rodas bem assentes no solo e os travões a meio curso. A última coisa que eu queria era acabar com a saúde do meu aro traseiro colado com “plasticina”.DSCF6619

Ou acabar por desmembrar o que restava do suporte plástico da bolsa da frente, que seguia agora atada com umas tiras de câmara-de-ar para não se separar completamente do guiador.

Sempre que me cruzava com pessoas de meia-idade, confirmava se eu estava no trilho certo pois as ramificações eram inúmeras.

 

Estava a pedalar há cerca de 1 hora e contava com 15Kms percorridos, quando o caminho por onde seguia resolveu dividir-se em dois, como se de um perfeito “V” se tratasse. Instintivamente se sem abrandar, segui pelo da esquerda pois era o que apresentava “melhores” condições além que era aquele que iria em direcção ao Índico.

Cerca de 100 metros depois, decidi aplicar os travões nos aros da bicicleta e colocar os pés no chão. Esta na altura de dedicar algum tempo à reflexão e orientação.

Perguntava a mim mesmo, como se acordado de uma hipnose, onde me encontrava e qual seria a razão seguir neste trilho? Porque não o trilho da direita? Seria neste local a tão falada “cortada à direita”? A mesma cortada que o Sr Felix mencionara ser depois do mercado?

DSCF6616 Tentei orientar-me por uns minutos até que ouvi algumas vozes ao longe no meio da vegetação. Apurei todas as minhas capacidades auditivas na tentativa de descortinar a sua proveniência. Um minuto depois confirmei que as vozes vinham do outro lado da vegetação, ou seja algures no trilho da direita.

Dei meia volta à bicicleta e regressei à bifurcação. Nessa mesma altura encontro um grupo de aldeões que se faziam deslocar em direcção a Mazua (e possivelmente ao mercado).

Confirmei com os mais velhos qual a via para Memba, ao qual me indicaram ser a da direita. Estava encontrada a cortada “perdida” do Sr. Felix… 15Kms depois do local por mim suposto.

Continuei a minha pedalada em direcção a Memba, na expectativa de a estrada continuar pelo menos como até então. Apesar de esta se encontrar em muito mau estado, eu conseguia manter-me em cima da bicicleta e avançar na etapa.

Com o passar dos quilómetros, a “estrada” deixou de ser “estrada”. Pedalava por estreitos trilhos pedonais, que seguramente eram usados apenas pela população local para se descolarem para os seus campos de cultivo.

Por vezes os trilhos acabavam em pequenas aldeias com meia-duzia de casas de paredes de barro e telhado de capim. Por todo o lado a cheiro a queimado proveniente das fogueiras semi-apagadas, onde alguém cozinhara a farinha de milho de manhã. À porta das cubatas havia crianças que ainda mal se punham em pé. Brincavam entre elas em cima de esteiras, entregues ao seu próprio cuidado enquanto as mães varriam o chão de aldeia com um penacho de palha.

Para evitar erros de percurso, eu era obrigado a perturbar o quotidiano destas gentes e perguntar em português simples e directo, qual o caminho para Memba.

Aqueles que não fugiam, respondiam-me:

-É só seguir a estrada principal…

Mas a diferença entre a estrada principal e os restantes trilhos existentes à volta das aldeias era simplesmente nenhuma. Todos os trilhos eram apenas estreitos carreiros pedonais, cobertos a capim e arbustos, que ao passar rasgavam-me a pele dos braços e das pernas.

Aldeia após aldeia, seguia em direcção a Memba. Atravessava pequenas plantações, localizadas nas zonas mais baixas, enquanto nas zonas altas o mato estava no seu estado natural. Aqui e ali encontrava um agricultor que sempre se dispunha a indicar-me o caminho certo.

Depois de alguns zig-zag’s, altos e baixos, e muitas paragens para consultar a sapiência local, eis que cheguei às margens do rio Mecuburi. Memba deveria ser do outro lado do rio, junto à costa do Índico.

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Uma vez na praia fluvial, poisei a bicicleta na areia e dediquei-me ao estudo das marés. Aparentemente o rio não era muito profundo, mas eu tinha que encontrar uma zona baixa para evitar molhar os alforges.

Praticamente em toda a área circundante, a travessia pedonal do rio era algo facilmente exequível, o único problema era que o nível da água passava os meus joelhos o que significava submergir os alforges. Algo de evitar a todo o custo, caso contrário teria que estender toda a minha roupa na areia da outra margem, para seca-la ao Sol.

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Entretanto após alguns minutos a estudar o leito do rio, apareceram 2 amigos que se disponibilizaram a ajudar-me a carregar a bicicleta até à outra margem. Não menos importante foram as indicações dadas, sobre qual o trilho a escolher por entre o capim da margem Sul e que me levaria até Memba.

Uma vez na margem oposta do rio Mecuburi, segui o trilho sugerido. O capim alto impedia-me de ver além de uns escassos metros da minha roda da frente. Subia a custo uma pequena encosta de terra batida e areia, retalhada a regos de menor importância.

De repente e como se de um repórter do National Geographic se tratasse, saí do meio da vegetação para aparecer sob o olhar espantado da população, num movimentado bairro de comércio local.

Acabara de entrar em Memba pela “porta do cavalo”.

Por todo o lado havia barracas de madeira e palha que exerciam a função de lojas. Vendia-se um pouco de tudo o que é normal num mercado Africano.

Facilmente encontrei a via principal e me permitiria chegar ao centro da vila.

Enquanto fazia a minha volta de reconhecimento, cruzava-me com inúmeros grupos de crianças que brincavam no meio da estrada. A julgar pelos uniformes azuis e pelas pastas de material escolar que transportavam aos ombros, podia concluir que estavam em actividades escolares. Olhavam espantados e gritavam para mim sem se aproximarem muito. Se eu lhes olhasse nos olhos, timidamente escondiam o seu olhar deixando apenas de fora o seu sorriso de curiosidade.

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Memba era uma pequena povoação na foz do rio e virada para o Oceano, onde as ruas principais gozavam de uma agradável pavimentação a pedra natural. Algumas casas haviam sido recuperadas recentemente o que dava uma particular beleza à vila.

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Chegara a Memba pouco depois da 10h00, tendo percorrido 32Kms em 3h16. Era a etapa mais curta de toda a viagem, contudo não era a menos morosa. Tinha assim o resto do dia para dedicar à Vila e à manutenção da bicicleta.

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Uma vez instalado na pensão Jovi e depois de um banho tomado a balde com água fria, avancei para uma operação de reconhecimento local, para posteriormente saciar o meu estômago que insistia em recordar-me da sua vácua.

Numa pequena baia encontrei o restaurante Costa do Mar, que não era mais que um antigo salão de espectáculos agora aproveitado como bar e restaurante. Do lado de fora havia sobre a areia algumas mesas de madeira onde almoçava um grupo de missionários italianos.

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Dentro do edifício, algumas mesas asseguravam lugar para aqueles que quisessem almoçar protegidos dos ares da maresia.

À minha esquerda e em cima do palco, ainda estava a aparelhagem de som do último espectáculo musical. Do lado oposto do salão havia um longo balcão em cimento, tal e qual como qualquer salão recreativo das vilas portuguesas. Do lado esquerdo do balcão, uma escadaria também em cimento, que levava ao andar de cima. Uma varanda interior, onde possivelmente estaria o operador de luz e de som das festas de outros tempos.

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Almocei tranquilamente um peixe grelhado com arroz ao sabor de 2 garrafas de Coca-Cola, sendo apenas perturbado por algumas moscas que insistiam em obrigar-me a partilhar o meu peixe com elas.

De volta ao centro da vila, investi algum do meu tempo na procura de material de consumo corrente para levar comigo na viagem, mesmo sabendo que seria difícil encontra-lo.

Na zona velha da vila, deparei-me com uma realidade repleta de destruição e degradação, mas onde era possível DSC00776aperceber-me com clareza a glória de outrora. Avenidas largas de jardim ao centro abundavam na pequena vila. Todas elas muradas por velhos estabelecimentos comerciais das décadas de 40 a 60.

 

Nas ruínas dos edifícios, algumas árvores erguiam-se nos topos dos muros canalizando as suas raízes por dentro das paredes, obrigado estas a cederem a sua passagem com brechas e perigosos ocos.

 

As amplas varandas predominavam nos principais edifícios, que com as suas escadarias simétricas faziam lembrar as telenovelas brasileiras que retratavam cenários do início do século passado.

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Nos estabelecimentos comerciais vendia-se um pouco de tudo, desde sementes a ferragens e desde tecidos a metro até às papas Cerelac. No entanto ninguém vendia câmaras-de-ar nem remendos para bicicleta.

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Nas ruínas das varandas praticava-se a venda de serviços, tal como reparações de aparelhos eléctricos ou a simples confecção de vestimentas.

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De quase toda a vila podia-se ter o contacto visual com o Oceano, a baia e a foz do rio Mecuburi. Era de facto um cenário interessante que contracenava com a degradação envolvente, daquela que deveria ter sido uma povoação cheia de esplendor.

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Em conversa com alguns habitantes mais velhos, estes informaram-me que a vila de Memba fora das mais bonitas de todas a região… Depois… veio a guerra civil…DSC00770

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Eu continuava sem qualquer ferramenta que me permitisse desmontar o pneu traseiro da bicicleta, caso este resolvesse pregar-me uma partida durante as próximas etapas. Se acontecesse ter um furo, continuava sem solução própria, entregue à mercê de quem resolvesse ajudar-me.

Tentei encontrar “desmontas” ou qualquer outro tipo de ferramenta que desempenhasse a função de remover o pneu do aro, mas depois de percorrer todo o tipo de drogarias continuava sem solução à vista.

A solução encontrada foi a compra de 2 garfos (de mesa). Posteriormente pedi para corta-los um pouco abaixo do punho e arredonda-los na ponta. Com um pouco de sorte os garfos seriam fortes o suficiente para conseguir retirar o pneu do aro, sem que estes empenassem.

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Consegui também um bocado de arame para voltar a colar e amarrar o suporte da bolsa do guiador, que se encontrava pendurado por tiras de câmara-de-ar.

Antes de regressar à pensão e passar à fase de manutenção da bicicleta, ainda tive tempo para tratar do meu visual na barbearia “A Vida Começa Assim 2010”. Uma modesta barbearia construída em caniço e onde havia espaço apenas para 2 pessoas.

O cliente e o barbeiro…

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Estava assim provado que após 100 dias de viagem era possível manter a pelagem dentro dos meus padrões normais, contrariando a DSC00818ideia geral de que os viajantes de longo curso teriam um aspecto tipo “Jesus Cristo”.

 

 

Uma vez na pensão iniciei a lavagem da bicicleta. Por toda a corrente e carretos havia uma mistura pastosa de difícil remoção, constituída por óleo seco, terra e areia. De seguida tentei uma vez mais, reparar o desviador da corrente que teimava em enfiar-se nos raios da roda quando eu menos esperava. Ainda mais agora que tinha um raio partido e a roda estava desalinhada.

No grupo pedaleiro analisei o desgaste dos dentes. O prato do meio apresentava sérios sinais de desgaste devido (em parte) aos quilómetros de esforço nos troços mais abrasivos (areia). Teria obrigatoriamente que poupar esta roda dentada, antes que se transformasse num disco.

O aro traseiro parecia que estava cada vez pior. As rachadelas internas deviam estar a progredir ao longo do aro, de tal maneira que este parecia um molho de cogumelos. Fui obrigado a desapertar completamente o travão traseiro para permitir que a roda girasse livremente. Encontrava-me agora entregue unicamente à performance do travão da frente.

O jantar foi num tasco perto da pensão, onde pude uma vez mais deliciar-me com o já habitual arroz com peixe e que iria restabelecer o meu organismo com os hidratos de carbono necessários para a etapa até Nacala.

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